I'll take care of you
If you ask me to
I'll take care of you
Take care of you
That's true
preciso de fazer um post mais composto um dia destes mas agora só me apetece dizer que
la cocaina no es buena para tu salud
la cocaina no es buena para tu salud
Rrrrrrrrau. Acho que o facto de eu gostar tanto de catfights e cenas de mão na anca tem a ver com a minha proverbial falta de jeito para esse tipo de coisas. It's so not me, e quem me conhece sabe isso. Mas na minha cabeça sou uma Queen Latifah de dedo em riste.
Bernardo, pessoa, jurista, arguido. A CP, convencida de que é juiz em processo penal, declarou-me, numa folha de papel químico, «arguido». As alterações legislativas processam-se a uma velocidade louca, true, mas desta modificações na Constituição e no Código de Processo ainda não tinha conhecimento. Tradução para tudo isto: amanhã vou pôr a mão na anca e preparar toda uma peça jurídica de contra-argumentação (que me vai dar imenso prazer a fazer). Que o facto de ter estudado esta coisa repelente chamada Direito me permita ao menos fazer o filme do jurista-a-quem-não-pisam-os-calos-ah-era-o-que-mais-faltava.
Pergunta honesta. Como é que pode uma pessoa trabalhar com assuntos pendentes da sua vida para resolver, com o livro que promete dar respostas para ler, com pessoas para confortar, com mensagens no Facebook e e-mails de amigos para responder, com jantares para organizar, com trabalhos de casa do curso de línguas para fazer? Como? E não estou a fazer género, ai-I'm-so-busy-busy.
Pull & Bear [3]. Digo «boa tarde» à senhora que me atende na caixa. Responde-me com um «boa noite». Fico dividido entre a surpresa de saber que já é de noite e o achar que é uma falta de educação ter a senhora, que na verdade é uma menina com dezanove, vinte anos, a corrigir-me em tão importante aspecto. Quem não leva a peito estas coisas, nem que seja durante fracções de segundo? Saio dali e é efectivamente noite. Há pelo menos duas horas, de resto. Mas eu é que tenho razão: cá fora, sim, é «boa noite». Lá dentro, é um «bom dia» que nunca mais acaba.
Pull & Bear [2]. Mas distraio-me. Vejo na conversa atrás de mim algo digno de assinalar: o início de um namoro. Ele diz o preço de uma coisa num sotaque parvo, género sotaque das berças, a gozar, e ela responde nesse mesmo sotaque parvo, como que a dizer: tu tens graça, eu também acho, não tenhas medo que não estás a ser ridículo. Acontece o mesmo quando ela fala. Não podem estar juntos há muito tempo: quando ela fala daquela minha-camisola-que-tu-achas-muita-gira e cujo padrão é parecido com o de uma camisola da loja, a voz não acusa o tédio de uma relação que já se colou ao correr dos dias, mas antes a excitação de uma pessoa que foi vista no máximo duas ou três vezes pelo object of her affection com aquela camisola que ele acha muito gira. Mais: a rapariga pede para entrar no provador depois de ele se fechar lá dentro. Ainda há aqui muito de amor que faz cerimónia, muito de sedução que não é a sedução dos corpos — essa já está feita. É o achar que os gostos, as piadas, as brincadeiras são e podem ser as mesmas. É a ilusão — boa, óptima, arrisco — que alimenta as relações. Chegou a minha vez de entrar nos provadores.
Pull & Bear. Pull & Bear do Cascaishopping. Fila dos provadores. Atrás de mim, uma rapariga de ar muito indie, os óculos, o gorro, a camisa, tudo. Começa a dar a No cars go dos Arcade Fire e eu fico nervoso. Apetece-me começar a dançar. Olho para a rapariga em busca de um olhar cúmplice mas nada, nem um esboçar de sorriso. A rapariga começa a falar e eu percebo que de indie deve mesmo ter pouco, só, talvez, o facto de se vestir de maneira pretensiosa. Ouço um "ó lindo, olha-me isto." Indie is mainstream these days e eu já devia saber isso de cor. O namorado, muito giro, falava de padrões de roupa com mais à-vontade que a namorada. Fiquei parvo. Mirei e remirei. Não, não joga na minha equipa.
Gratidão cósmica. Ante o vislumbre da morte, por mais pequeno que seja, o mais certo é dizermos que daqui para a frente as coisas vão ser diferentes. Que, se nos safarmos desta, a nossa a vida não vai ser a mesma. Que as coisas ganharam novo valor. No fim, e se não tivermos cuidado, fica só o alívio por sair da situação. É sinal de que não se aprendeu nada e de que voltámos a cair no vórtex do quotidiano.
Do encantamento. Andei a dar uma vista de olhos nas suspensões mais antigas, que resolvi reabrir. O que mais me aperta o coração (num bom sentido, espero, mas não tenho a certeza) é notar ali uma espécie de encantamento e de excitação com a novidade. Mesmo quando tinha mil perguntas e zero respostas. E isso talvez não fosse assim tão importante.
O encantamento nota-se ainda mais neste e-mail que mandei aos meus amigos em Setembro de 2006, quando me instalei na Alemanha. Um excerto:
Wo wohnst du in München? Entretanto, estou no mui calmo e central Olympiazentrum. Daqui do meu quarto vejo o estádio olímpico e muito muito verde. Tenho U-Bahn (metro) a uns 150 metros e descendo quatro ou cinco estações estou no centro da cidade. Perfeito! Até agora, só tinha um checo a viver comigo (um checo que só fala checo e alemão, nem uma palavra de inglês! - Não queiram imaginar o que foi para nos entendermos quando houve um problema com a instalação da net e ele me quis explicar as suas soluções mirabolantes...) mas já se juntou a nós um espanhol de Sevilha. Em Outubro devo mudar-me para a não tão central Chiemgaustraße, sensivelmente à mesma distância do centro da cidade mas do outro lado do rio...
Vida Erasmus e mais além. Tenho um grupo interessante e muito porreiraço - que mete um americano, espanhois, um japonês, um mexicano, uma portuguesa, uma sueca, um irlandês e mais umas quantas pessoas - se bem que me estou a tentar integrar minimamente na vida da cidade. Sinceramente, não me atrai a perspectiva de só fazer vida de Erasmus durante um ano inteiro. Mesmo que não perceba 90% do que me dizem, peço explicações tipo "Wo ist das...?" sempre em alemão. Tento saber o que pensam os nativos disto ou daquilo. O que é que os move. E depois esta cidade tem uma vida cultural fantástica e digna de inveja. Quero aproveitar para completar a minha "educação musical" aqui ( música clássica e ópera são coisas que não faltam, com uns descontos bestiais para estudantes). E para ir a uns quantos concertos, que aqui há aos pontapés. (Para breve temos Jamie Cullum e Divine Comedy :P)
München. E depois... a cidade é muito mais que um must. Muito mais que uma cidade com - Rita e Tiago :P - cachet. Para além de que agora está um tempo óptimo (sim, sol, céu limpo e até calor!) e a Munique está transformada numa enorme esplanada. Tanto que, descia eu no outro dia a Maximilianstraße (calha sempre bem dizer estas coisas) e ia jurar que estava em Sevilha. Ou numa cidade italiana. (De resto, até se diz de Munique que é a cidade italiana mais a Norte...)
Tal como os habitantes da cidade, que enchem os cafés e os parques e até fazem topless no Englischgartner, tenho feito por aproveitar ao máximo a cidade por fora enquanto dura este tempo. Para depois fica uma visita demorada aos vários museus.
Costuma dizer-se de Munique que é uma cidade imponente e cosmopolita (um em cada quatro habitantes são estrangeiros e tem uma vida cultural, social e nocturna intensíssima, que tomara Lisboa ter...) mas ao mesmo tempo humana, acolhedora e ciosa das tradições e valores bávaros (que de resto - Hofbräuhaus e sítios quejandos à parte - não são apenas recuperações kitsch para turista ver). É verdade: a so-called Gemütlichkeit faz todo o sentido. As pessoas são muito simpáticas, mas de qualquer modo eu já vinha para aqui sem preconceitos desse tipo em relação aos alemães... No topo da rua mais queer da cidade (Müllerstraße), um bar e uma tabacaria tinham enormes bandeiras da Santa Sé e cartazes alusivos à visita de Bento XVI à Baviera. Where else?
Como devem saber, os bávaros encheram neste fim-de-semana a sua Hauptstadt para receberem o seu "filho pródigo" com uma manifestação de orgulho católico. A sério, vi umas quantas pessoas com T-shirts a dizer "Ich bin katholisch...! (Para alguns: uma enorme concentração de Bélis e TNPs!*) Foi tocante ver toda uma multidão cantar o hino da Baviera - que de resto é lindo! - com o Papa, Angela Merkel e Edmund Stoiber.
A cultura steineriana do café (obrigado Mariana :P) faz aqui todo o sentido. São milhares os restaurantes, os cafés, os bares, os bistros. E sente-se que as pessoas vivem a cidade. Só para dar um ou dois exemplos, saindo da Marienplatz, há a zona trendy de Gärtnerplatz, pejada de esplanadas. E o quartier universitaire (Schwabing) assusta de tão familiar, anti-pretensioso e multifacetado que é. Restaurantes óptimos e baratos, alfarrabistas, livrarias...
Enfim, muito sítio para ir, muito sítio para descansar a cabeça, muito parque, muito banco (que não acolhe só os velhotes do costume)... Acho que vou levar daqui uma lição sobre o que pode ser o aproveitamente dos espaços públicos. Ah, e tenho que comprar bicicleta, que é essencial para viver decentemente nesta cidade! Tudo se faz de bicicleta: ir trabalhar, levar o filho à escola, sair à noite... E para quem está habituado a andar de bicicleta nas não muito direitas ruas de Sintra, andar aqui é kinderleicht!
E agora é tempo de ir dormir, que amanhã há aulas de alemão. Este mês é de relativo descanso e a vida universitária a sério só começa a meio de Outubro. De qualquer modo, estou ansioso por conhecer por dentro a LMU (Ludwig-Maximilians-Universität), instalada quase toda ela na imponente yet friendly Ludwigstraße.
Agora a minha preocupação é mesmo aprender alemão. Se é verdade que numa semana aprendi imenso (fiquem a saber que já consigo ler o Fausto de Goethe na versão original!), é claro que me irrita ter tanto para dizer e não conseguir. Mas esse desafio - que me vai acompanhar até Julho - fui eu que o escolhi.
Vão dando novidades. Eu também vou fazer por isso.
Deixo-vos um grande
Grüß Gott!
cheio de saudades.
Beijinhos e abraços!
*Inside joke: Béli era o nome de uma tia beata. E TNP uma sigla que por decoro não vou desvendar, relativa a essa interessante espécie que são as beatas com uma fixação sexual por padres.
La nuit
É bom ver alguns sentimentos de fora, sentado à margem do rio em vez de estar dentro dele. For a change. Que bom é não estar doente por alguém, que bom é que a noite não pareça não ter fim, que bom é que não haja ninguém a ter um malin plaisir em gozar com os meus avanços.
È strano
[Anna Netrebko e Rolando Villazón com a Wiener Philarmoniker no Festival de Salzburgo de 2005]
Não me consigo cansar desta Traviata. Apontamento pessoal: já estive numa fase «ah, fors' è lui» e agora é tempo de voltar ao «Sempre libera degg'io/Folleggiare di gioia in gioia/Vo'che scorra il viver mio/Pei sentieri del piacer.»
Que é uma fase que, na verdade, se quer mais de sossego que de outra coisa qualquer.
Educated guess
Madrid foi fantástico. E em Madrid, este fim-de-semana, teve lugar o momento mais bizarro da minha vida. Uma daquelas histórias que só nos filmes. Apesar disto, e mesmo depois de ter vivido esse sinistríssimo momento, aproveitei imenso os dias que por lá passei. Das duas, uma: ou nos últimos meses desenvolvi um sistema imunitário psicológico fantástico, e já nada me afecta, ou a ficha ainda não caiu, tal o choque.
A ditadura dos acomodados [II]
Pangs of silence
From the room upstairs
How's the view there?
Do you read what they're saying about you?
That you're no fun
Since the war was won
In fact,
you have become
all of the things you've
always
run
away
from.
Pangs of silence
From the room upstairs
How's the view there?
Do you read what they're saying about you?
That you're no fun
Since the war was won
In fact,
you have become
all of the things you've
always
run
away
from.
Taxonomia
E assim segue a vida, em piloto automático. De repente, tudo deixa de parecer tão insuportável: o ter muito que fazer, o stress permanente, a vida de adulto. Até gostamos quando o nosso trabalho é elogiado e ficamos contentes com isso. Também ficamos contentes quando fazemos muita coisa. E quase que ficamos contentes por nem sequer ter tempo para perder tempo.
Hesito entre dois pólos. Entre achar que sou eu a sucumbir à ditadura dos acomodados. Ou que isto é apenas o que se espera de mim (ou de qualquer pessoa, for that matter); que eu até sou um privilegiado; que o mundo não é feito à imagem e semelhança de ninguém.
Acomodação ou aceitação do que é a vida. Questões taxonómicas para resolver ao cair da noite.
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